A apneia do sono é um distúrbio grave e subdiagnosticado que afeta cerca de 32% dos adultos brasileiros, segundo dados da Associação Brasileira do Sono. Caracterizada por pausas repetidas na respiração durante o sono, a apneia não apenas prejudica o descanso, mas aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e acidentes de trânsito.
O problema é que a maioria das pessoas com apneia não sabe que tem. Os episódios ocorrem durante o sono, e o parceiro de cama frequentemente é o primeiro a notar. Entender os sinais, buscar diagnóstico e tratar adequadamente pode literalmente salvar vidas.
A apneia do sono é definida como a cessação do fluxo de ar por pelo menos 10 segundos durante o sono, ocorrendo repetidamente ao longo da noite. Cada pausa é chamada de "evento apneico". O índice de apneia-hipopneia (IAH) mede quantos eventos ocorrem por hora de sono e determina a gravidade.
| Gravidade | IAH (eventos/hora) | Impacto |
|---|---|---|
| Leve | 5–14 | Sonolência leve, ronco moderado |
| Moderada | 15–29 | Sonolência diurna significativa, risco cardiovascular aumentado |
| Grave | ≥ 30 | Sonolência intensa, alto risco de complicações |
A apneia do sono não tratada está associada a:
O padrão-ouro para diagnóstico é a polissonografia — um exame realizado em laboratório do sono que monitora simultaneamente ondas cerebrais, movimentos oculares, atividade muscular, frequência cardíaca, saturação de oxigênio e fluxo de ar durante toda a noite.
Existem também monitores portáteis (tipo 3 e 4) que podem ser usados em casa, com menor custo, mas com algumas limitações diagnósticas.
O CPAP é o tratamento mais eficaz para apneia moderada a grave. Um aparelho gera pressão de ar positiva que mantém as vias aéreas abertas durante o sono. Quando usado corretamente, elimina praticamente todos os eventos apneicos, melhora a qualidade do sono, reduz a pressão arterial e diminui o risco cardiovascular.
O principal desafio é a adesão — cerca de 30–50% dos pacientes têm dificuldade em se adaptar. Máscaras modernas e ajustes de pressão (APAP) melhoraram muito a tolerância.
Aparelho bucal que avança a mandíbula durante o sono, ampliando as vias aéreas. Indicado para apneia leve a moderada ou para pacientes que não toleram o CPAP. Menos eficaz que o CPAP, mas com melhor adesão.
Reservada para casos específicos onde há obstrução anatômica clara. Opções incluem uvulopalatofaringoplastia (UPPP), avanço maxilomandibular e, em casos de obesidade grave, cirurgia bariátrica.
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